História
Conquistas, vitórias e derrotas fazem parte da trajetória do Esporte Clube XV de Novembro Piracicaba. No início do século XX, as famílias Pousa e Guerrini, tradicionais de Piracicaba, comandavam os dois times da cidade, o Esporte Clube Vergueiros e o 12 de Outubro. Em 1913, os responsáveis pelos dois times rivais resolveram formar um só. Para isso, convidaram o cirurgião-dentista e capitão da Guarda Nacional, Carlos Wingeter, para comandar o novo time. Nascia então, no dia 15 de novembro, o XV de Piracicaba.
Em 1914, o XV de Piracicaba, cujo nome foi sugerido pelo capitão Wingeter, conquistou o título de campeão da cidade, derrotando o time da Associação Esportiva Piracicaba por 3×2. Começa o amor dos piracicabanos pelo time do Nhô Quim. Prestigiado, o XV foi aceito, em 1918, pela Associação Paulista de Esportes Atléticos. Isso permitiu ao clube disputar os campeonatos do interior e conquistar títulos de campeão regional e vice-campeão, em 1920.
Glória da cidade, o XV conquistou o título de primeiro campeão profissional do interior e primeiro campeão pela lei de acesso. Tornaram-se imortais pelo feito, os jogadores Bertolucci, Idiarte, Mário Rensi, Pedro Cardoso, Strauss, Adolfinho, Cardeal, Berto, Gatão, Sato, Rabeca, Picolino, Rubens, Henrique, Tão, Elias, Cardinali, Luizinho, Changai, Pixe, Curtinho, Bita.
Lenda viva da história do XV de Piracicaba, Oswaldo dos Santos, 78, ex-massagista, conhecido como Oswaldinho do XV, tem verdadeira paixão pelo time. Oswaldinho idolatra Romeu Ítalo Rípoli – presidente do clube de 1974 até 1980. Durante o período presidido por ele, os mandatos do Conselho Deliberativo, do presidente e vice-presidente da diretoria foram alterados para cinco anos. Rípoli morreu em outubro de 1983. “Ele foi um herói. Fiquei de cama quando ele morreu”, relembra.
Massagista oficial do XV de Piracicaba, afastado há 15 anos, Oswaldinho começou criança a acompanhar os jogos, ainda no campo velho – Roberto Gomes Pedrosa. Ia ao campo “de xereta” para assistir partidas, aprender sobre futebol e a fazer massagens. “Devo muito obrigação ao Sebastião Sérgio (treinador da equipe de juniores, já falecido)”, diz.
Ele era homem de confiança de Rípoli. Tinha acesso aos documentos, cofres e contratos de compra dos jogadores. Segundo Oswaldinho, o presidente era exigente, adorava o XV e substituía a concentração dos jogadores por dinheiro. “Ele liberava os jogadores e dava em dinheiro. Depois, eles jogavam e ganhavam”, conta.
Foi durante o mandato da diretoria de Rípoli que Oswaldinho viajou à Europa – com toda a equipe – onde o time disputou jogos amistosos. Ele conheceu Alemanha, Rússia, Polônia. Fez grandes amizades com os jogadores. Viu o estádio do Barão da Serra Negra lotar em dias de partidas com times como, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Flamengo.
No dia da disputa entre XV e Vasco da Gama, na década de 70, Oswaldinho “carcou uns golinhos” e foi socorrer um jogador em campo. O juiz da partida era Roberto Nunes Morgado. O massagista correu em direção ao jogador, caiu e a mala de socorros abriu, esparramando remédios. “O jogador olhou para mim e falou: ‘tá difícil, hein’”, recorda, aos risos.
Hoje, o massagista raramente vai ao campo, mas não se incomoda com a situação do time, que está na série A3. Como quinzista, ele pede, aos conhecidos que encontra pelas ruas, que ajudem o XV, através das campanhas de arrecadação de verba. “Não importa a situação, o XV é o XV. Ele é o amor da minha vida, bem mais que meus parentes”, orgulha-se.
Oswaldinho aposta na competência do atual presidente de demais integrantes da diretoria para resgatar o brilho do time do seu coração. “Ele é um homem inteligente e honesto. Só tenho a agradecer ao doutor Renato (Bonfiglio)”, emociona-se.
Década de 70
Em maio de 1972, Gustavo Jacques Alvim, hoje reitor da Unimep, assumiu a presidência do XV. A situação era complicada, com dívidas para fornecedores, folha de pagamento em atraso, o estádio estava para ser vendido. Alvim conseguiu um acordo verbal com o comendador Humberto D’Abronzo para não leiloar o estádio até o final de seu mandato. “Com isso, propus recuperar o XV, conseguindo 2.500 sócios”, relembra.
Havia vários valores cobrados de mensalidades dos sócios e com uma equipe de jogadores de Piracicaba, conseguiu-se pagar os fornecedores. Gustavo Alvim diz que o trabalho era árduo. Foi em 1973, que ele tomou uma medida “drástica”. Dispensou a maior parte dos jogadores do profissional, investindo na equipe de base. “Conseguimos formar uma boa equipe, com revelações como, Paulinho Massariol, Joãzinho Paulista, Admir e Samuel Neves, Gatãozinho, Tatau”, cita.
Gustavo Alvim entregou o XV, em dezembro de 1973, com dinheiro em caixa e pôs fim ao uso do forno da padaria, próxima ao estádio onde eram queimados papéis comprometedores. “Quando eu assumi, uma vez, um moço veio me perguntar se eu iria continuar usando o forno para queimar os documentos do clube. Disse a ele que eu não iria precisar”, brinca. Era o início do arquivo que preserva a história do XV.
Depois dele, Rípoli assumiu a presidência, eleito em uma festa democrática, como diz Alvim. Ítalo Rípoli foi eleito pela chapa Grande XV, com 378 votos, enquanto o vice de Gustavo Alvim, Rubens Braga, perdeu com 216.
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